prosa

Brasil

23:28

Brasil, aonde cê tá indo? Não te contaram que na esquina tem uma armadilha que, se me permite a redundância, armada para te sabotar? Onde cê vai, querido? A esperança ainda não morreu, mas o abismo a espera. Melhor ir devagar, amado. A rua, a lua, a loucura das madrugadas, a cocaína no nariz de quem espera, o porto vazio cheio de sangue, a bandeira faltando estrelas, a cultura pedindo comida, a miséria dizendo que vai ficar, as rugas de quem já viveu suas desventuras, querido país; o desemprego do patrão, a nova comissão. Pra que lado cê tá indo, Brasil? Não falaram que quem espera sempre alcança? Você já foi a esperança das canções de Vandré. Acorde, meu filho. Não te disseram que os monstros lhe esperam? Eles são grandes e vêm de fora. Esse seu plano pode não dar certo. Abortar missão na cara do bote, não rola, patrão, não rola. Manda chuva é você. Manda chuva, papai do céu, iemanjá. Paquetá. É apneia, Brasil... É apneia. Se cuida, pra não virar bosta e ter que ir pelo ralo.

13:00

Vida, tô cansada. Tô perdendo o jogo. Não estou desistindo de ganhar, mas me venceram antes. Pode me levar, se quiser. Fico para a próxima rodada. Estou muito cansada.

carta

Dos ventos

14:24

Olá querido Oeste,

É bom ver que estás feliz com teu antigo amor. Aliás, é bom ver como a tua consciência foi camarada e nem lhe pesou ao ver que jasmim eu era. Porque não foi a ela que tu traistes, somente ao meu amor fostes infiel. Amei-te por completo, nossas almas tornaram-se uma só diversas vezes e tu nem aí para o que pudesse estar sendo criado na mente de uma alice tão ingênua. Porém, meu amor, eu já te esqueci, depois de tantos versos e prosas por ti. Agora eu posso te ver, sorrir e brindar pelo teu noivado, pela tua mudança, pelo teu adeus. Quantos quilometros nos separavam, continuam assim e que permaneça. Meu amigo, és tu. Não tenho rancor, apenas fico feliz por ti. O meu amor também está a caminho. Paz e seja feliz no Sul.

Um grande cheiro,
Leste
"Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz." LH

prosa

time

14:00

A destreza do tempo trouxe-me um oceano de informações na velocidade de um tufão. Conhecimento jogado em via públia para quem quiser pegar. A próxima primavera já está chegando e eu onde estarei? O conhecimento é determinado pelo tempo? Não, o tempo determina o conhecimento. Os segundos estimulam cada sinapse do meu cérebro. O encéfalo não para, polegar. Era um polegarzinho, agora já está quase ão. Escreva um ditado popular, mudem as regras. Tanto faz, agora eu tô só pra mim e tentando ser só para você, mas o cérebro não deixa. Desculpe-me, amor, não tenho tempo para errar.

conto

Confidencial, desculpe

15:28

Quando a conheci, dei meus pulinhos e quase cortei o dedo de promessa que quis pagar. Mas depois me acerto com o povo que me abençoou com a pequena. Ela era linda demais. Tinha olhos verdes, uma pele morena de Sol e cabelos castanhos. Ao vento, parecia famosa. Mas era criança, ainda.
Havia dois anos que decidi obtê-la. Ela era muito ingênua, dizia tudo sem pensar e eu nada falava, quando dizia era só invenção.
Não, não sou canalha, moças. Só pensei em protegê-la. Aos meus olhos, parecia tão indefesa. Queria contar-lhe meus anos vividos, porém todas as vezes que eu tentava me pronunciar, ela pedia que eu a empurrasse no balanço. Que sofrimento. Quisera eu ter dito antes...
Nos conhecemos no parque perto da casa de meu pai. Eu estava lendo e ela correndo por aí. Só parou quando tropeçou em meu pé. Aí viramos amigos em um só olhar.
Certa vez, quando faziámos piquenique, ela deixou escapar que estava apaixonada. Eu me irei de maneira tão brusca que, acreditem, quebrei todos os biscoitos. Ela ficou mais brava ainda e me bateu. Cecília era um doce, mas se estressava, facilmente. Chegava a ser engraçado - ou tenebroso.
Há alguns anos atrás -10 para ser mais exato - sentei-me com minha pequena criação para dizer-lhe quem sou e de onde vim. Ela estava completando seus 18 aninhos, e eu já passava dos 50. Sim, meus caros, eu esperei que ela alcançasse a maioridade para explicar-lhe os motivos de tudo.
Sentamos juntos, em um restaurante do centro. Caríssimo. Eu quis agradar, é claro. E comecei a contar meus longos fios brancos.
Disse-lhe que logo quando nos conhecemos, eu havia acabado de sair da prisão. Há 12 anos estava preso, incomunicável. Sem ninguém que se lembrasse da falta que eu fazia. Sem qualquer pessoa que pudesse notar ou cogitar a idéia de que eu estava me sentindo só. E foi nesse tempo, que aprendi a me calar e ouvir.
Ela ficou pálida. Nâo podia acreditar que eu, o homem que sempre respeitou, era uma fora da lei. Eu engoli seco e não desisti de minha missão.
Continuei a dizer que aquele dia - que nos conhecemos - eu estava experimentando a liberdade. Havia comprado um livro na banca e parado no parque para ler. Nem quis pensar como iria me fixar novamente no mundo. Foi quando a vi, correndo, mais livre que eu. Mais que os pássaros. Eu me apaixonei pela inocência, pela liberdade com que corria e sorria (nessa hora ela suavizou a expressão).
Queria dizer que nunca menti, mas omiti tanto a verdade que mentir já nem era o problema central. Não mudaria nada a minha grande enrrolação.


(Escrito e inacabado em 01.03.2009 || Para um querido amigo marcos)

prosa

-

15:16

Era verdade que eu quis ter dito tudo naquela exata hora. Quis ferir o silêncio, com a ajuda daquelas gotas fracas que caíam, e ter devolvido tudo o que me dera sem dó e nem maldade. Pensei que fosse te machucar e talvez eu, muda, deveria permanecer na minha inquietude monótona. E se te dissesse não passaria de um sorriso escrito, dito apenas com as mãos. Cortei a dor pela raiz e a enterrei bem dentro de mim.
"Tinhas, como sempre, um forte poder sobre mim. Tomava-me pelas mãos sem nem mexer teus braços. Bem, quando eu nem me toquei, achando que eras tu, soube que sonhava contigo, mas só fui acordar hoje."

(Escrito em 28.12.2008)

poema

-

18:28

Cantarei de Saudade
Esse amor que é só nosso
Meu e seu, Humanidade

Na busca do colosso

Colosso colossal é nosso é grande trasncede a alma me rasga pura limpida pinta de sangue paixão arranha quebra explode entropece insano fere doi mas sana conserta um misto s x loucura insanidade prazer somos nós mundo acerca de todos os assuntos confusos sem vírgula e nem paragrafo procurando a saída de um livro interminável da vida que exige quarenta ou cinqueta milhões bilhões trintomilhões de palavras se é que existe existiu diz e há escreve e inventa nosso universo poetas poetisas marginais artes seres todos vivemos no mesmo vaso sanitário.

poema

Semideus

18:07

Não vês que és semideus?
Na Força,
na Alma,
no vir e ir,
no estar aqui,
no acesso a Deus.
Na Beleza,
na Áurea,
na voluptuosa dança.

Brincas, saltas,
Inocência
Faze-se de pilastra,
pobre Criança
Não sabe que é semideus.

poema

abs ter-se

22:26

por tamanha indecisão,
falsa insensata
tão sisuda e sem graça
tentou ser aloprada
fingiu moldes estratégicos
para tentar cantar o verso
roubou a forma, a rima e a perfeição
tentou ser o que não lhe era bom
caiu
tenha dó, vida
dessa alma tão cansada
procurou e não achou
quem era
por que era
e para quem era
o ser já nem lhe parecia certo
quando não se arte fazia
ou o contrário
do muro pulou e caiu de novo
no lado certo - cair era abster-se

nota

Desabafo?

18:35

Entenda, somos arte. Todos nós. Moldados e esculpidos por tamanha perfeição. Mas nós mesmos nos estragamos. A arte pela arte se destroi. Quanto mais quem diria, as obras de nossos renascentistas em um ringue de batalha. Apenas sufocariam-se, por tanta beleza, por tanto brilharem. Somos obras divinas. Temos o direito do céu, de vencer. Somos arte. Nascemos para fazer a diferença ou se juntar aos iguais, tanto faz. Devemos ser arte, isso basta.

Isabella Mariano

Blog com conteúdo autoral da escritora Isabella Mariano.

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