nota

las brujas andan sueltas

21:39

é dia das bruxas. já nem sei mais o que significa isso. esse dia só me faz lembrar de quando eu estava na 5ª série, fui ao banheiro e havia virado moça. não sei, mas não rola essa negócio de dia das bruxas pra mim. tá chovendo muito, aqui. eu olho lá pra fora e vejo tudo embaçado. a chuva tem tomado espaço de tudo, chegou sem bater e tem se alojado onde pode. como eu, nós, somos frágeis demais, nos escondemos em nossas casas. os corajosos sempre morrem, mas vão para o céu. e vai se tornando uma noite saudosa, com essa velha música que antes costumava me arrepiar de amor, agora me dói o coração de saudade. quero marcá-la com algo bom, com amor. mas é assim que a vida é. ela nos ataca, para ver o que iremos fazer. morrer ou viver. chuva, chuva, chuva. tem gente de jetski na rua, não entendo mais nada. tudo fechou mais cedo. todo mundo tem medo. eu estou com medo. somos frágeis, todos, todos. somos humanos. só consigo pensar naqueles que não tem uma casa para dormir nessa noite - essa casa que é a única coisa que vejo nitidamente -, eles devem estar aproveitando para tirar os piolhos, para colocarem a fantasia e curtirem o dia das bruxas. lá no centro, então. se escondendo nos 'monumentos', debaixo de qualquer cobertura. minha cachorra me olha e atrapalha meu pensamento. ela sente frio. tem gente falando alto, os corajosos da rua estão de carro, agora. enfim... é a vida que vai me enlouquecer qualquer dia desses. beijo, abraço e Deus nos proteja de qualquer goteira que tente surgir.

poema

Repostagem

16:37

Lembram-se do poema da chuva? Estou 'repostando-o'. Tem tudo a ver com o momento:

domingo, 1 de março de 2009

Chuva

nota

Aniversário mega atrasado

12:20

Esqueci de comemorar o aniversário do blog esse ano, que é no dia 13 de setembro. Mas, bem... Troquei o layout e lhe dei novos textos. Parabéns blog por ter me aguentado nesses dois anos! :)

prosa

18:21

Somos tão convencionais. A música pára, acabamos a dança, mesmo que o corpo chame por mais. A multidão corre e vamos atrás. Se tem espaço para título, nós o escrevemos, se não tem, inventamos. Se pedem nosso nome, dizemos, mesmo que todos nos conheçam por um apelido. Se acabou, vai embora. Se é pra chorar, fica triste, mesmo que tenha vencido o concurso. Se é poema, é com rima. Se é funk é pornografia. Se é jovem, é sem causa. Se falar de Trótski, é interessante. Mas se for seriado, ih, é fútil. No feriado, temos que sair. Mas na quarta, ficar em casa. Somos tão convencionais. Se é cabeludo, é rockeiro. Se tem franja, é emo. Se o decote mostra tudo, é vagabunda. Mas se usa hábito é santa. Tá tudo tão convencionado. Em uma convenção universal, somos marcados pelos preconceitos, preceitos, conceitos, moldes. Os esteriótipos nos falam mais do que o olhar. Deste que já perdemos a capacidade de interpretação. O tempo muda, sempre de convenção e convenção. E quando quer ser diferente? Ah, isso também é tabelado: tem que odiar o sistema, o burgês, a roupa de marca, o McDonalds, o funk, o sertanejo, o rap contemporâneo, o ballet, o branco, os portugueses e os EUA. Francamente, sejamos mais espontâneos. Se for pra não gostar de coca-cola, que seja porque é ruim. Se for pra admirar Almodóvar, que seja por que faz seu gosto. Se diz que funk é música de alienado, que seja sabendo que é preconceituoso. Sejamos mais sociais e menos políticos. Mais nós, menos eu. Falamos tanto em liberdade, mesmo os mais rígidos e tradicionais, mas nem vemos que estamos presos ao que nos foi dado, em todos os sentidos. Busque essa liberdade primeiro. De poder dizer não, de saber amar todos os estilos, todas as profissões, todas as religiões, todos os ladrões e feiticeiras. As protitutas, os idosos, os estudantes, as tribos, os políticos, os primitivos, os intelectuais, os marginais, os menores ifratores, os idólatras, os pedófilos, os viciados em pornografia, os dependentes químicos, os fumantes, os religiosos, os radicais, os extremos, os que não te amam, os inimigos, os violentos, os mansos, os alienados, os anciãos, os fúteis, os excluídos, os incluídos, os populares, os elitistas, os intrometidos, os sinceros, os humildes, os gananciosos, os corruptos, os infiéis, os poligâmicos, os estrangiros, os canibais, os deficientes mentais, os deficientes físicos, os bêbados, os mendigos, os mal-ducados, os mauricinhos, os ricos, os pobres, os brancos, os negros, os amarelos, os ETs, os travestis, os homossexuais, os homicidas, os suicidas, os malvados, os bonzinhos, os preguiçosos, os eficientes, os intovertidos, os extrevertidos, os ditadores, os comunistas, os loucos, os convencionais. Todos, quero amar todos.

poema

Sol

18:17

não adianta
não sou dócil
nasci pra ser livre
não uso coleira,
não vivo em jaula.
sou do contra,
mas os clichês me fazem rir.
uma fera do amor
me move e eu luto
por ele e para Ele
não adianta,
não vou ser sua
com pequenas palavras
é difícil, mas
acredito no melhor pra mim
sou fiel a mim
não sou seu pensamento
sou eu
indomável

conto

french

01:20

miseravelmente, senti meu corpo quebrando. como uma peça de cristal, sensível e exuberante, quebrandO. praticamente, vi minha cabeça rolando, com os olhos da almA. na verdade, tudo se deveu a grande audácia do siR lanceloT em querer ir a françA, como costumávamos chamar meu treinador - ele era britânicO. eu jogo tênis, o esportE. éramos íntimos parceiroS. há anos, juntos, como belos vencedores de tudO. estava convencida de que havíamos nascido para issO. certa vez, em nossa vida brilhante e iluminada, um pingo negro surgiU: clairE laforeT. uma francesinha, metida a besta, que pensava que falava português, a máxima das línguas nacionaiS. antes dessa aparição, sempre fui uma pessoa muito centrada, calculista quando preciso, na verdade, sempre busquei o esquilíbriO. minha carreira estava maravilhosa, todos queriam me contratar e eu era, realmente, idolatradA por todo brasiL e pela europA. laforeT surgiu quando meu britânico, me levou para um passeio afrodisíaco na françA. não estranhem, nos comportávamos como amantes, de quando em vez, como se fossem surtoS. clairE laforeT se passou por camareirA. achei típico, fracO. o que não sabíamos é que a garota entrava em nosso cômodo quando ausente estávamoS. santa paciênciA. ficamos um mês ou maiS. aliás, eu já havia perdido a noção do tempo, porque passava parte dele desconfiando dessa desgraçadA. eu sabia que não estava erradA. eu não falho, os outros que querem me fazer falhar, como elA. malditA. para acabar logo com o drama, ela sim, se realizou sexualmente com o inglesinho que me treinavA. e sim, eu os vi juntoS. mas esse papo tá babado, não vim contar issO. porque eu nem me importei com isso naquele momento, só realizei um fetichE. deixa pra lá, vocês são caretas demais pra issO. criamos um triângulo amoroso, as minhas disconfianças por clairE me faziam amá-la cada vez maiS. eu esquecia dos treinos, dos jogos, várias vezes, meu desempenho foi mau por estar exausta por nossa boemiA. admito, enloqueci de amores por seus olhares e por como lanceloT parecia cada vez mais sedutoR. eu poderia ter morrido nessa épocA. passados dois anos tudo começou a desmoronaR. lanceloT disse que eu estava perdendo os patrocínios, porque meu desempenho teria sofrido absurda queda nos últimos anoS. tentamos de todos os modos, em todos os jogos, treinar mais e vencer, mas clairE me tirava do sério, perdia noção de tudo com elA. aos poucos, vi minha carreira ruiR. tudo o que eu mais amava morreu e passei a amar minha mais nova paixãO: a francesinha vagabundA. porém, em tempos de inverno, ela sumia e eu gastava todo o meu dinheiro em aguardentE. empobreci, caroS. fiquei podre de fama, de riqueza, de beleza e logo depois de espíritO. a tão maravilhosa clairE sumiu de vez no inverno de 89 e só apareceu pra mim com uma peruca vermelha, nas olimpíadas de pariS e pela televisãO. não acreditei, mas vocês podem ter fé, ela estava treinado margoT duchampS, a nova estrelinha do tênis mundiaL. a essa altura, lanceloT estava no brasiL se casandO. liguei para ele e comuniquei tudo, ele me mandou um dinheiro para eu voltar pra casA. mas não pude deixar isso assiM. aquela infeliz não podia sair impunE. ela tinha armado pra mim, só para a sua companheira vencer, ganhar de miM. na outra semana, me dediquei a encontrar clairE. foi fácil, ela já estava na mídiA. eu a espionava, hospedada na pousada em frente ao seu condomíniO. já sabia todos os horários, estava tudo anotado e planejadO. quando margoT saiu com seu empresário, na verdade seu amante, vi que clairE foi tomar banho. era o momento perfeitO. disse ao porteiro, da forma mais dissimulada possível que já fui cliente dela e que queria fazer-lhe uma surpresA. homens tolos, nunca disconfiam de mulheres, meigas, bonitas e bem arrumadaS. a porta aberta foi só uma facilidade que achei, peguei a faca que tinha trazido e parei na porta do banheiro, admito que me apaixonei de novO. ela me viu e se assustou, mostrei a faca e disse para não gritar e nem fugir, seria rápida minha visitA. me despi e entrei no banheiro, enquanto a molestava, dizia para ela quanto eu a amava e quanto ela tinha sido uma vaca comigo, uma vagabunda, cachorrA. via seus olhos de terror, aquilo me consumiu e me realizeI. depois, ela tentou me enrolar para ver se eu desistia da ideia, mas nãO... nada mudoU. peguei a faca e a esfaqueei, perdi as contas de quantas vezeS. ela estava linda, parecia escultura, obra de artE. era devagar e a cada golpe, um gemidO. como num sonhO. ela morreu da mesma maneira como me matou espiritualmentE. foi delicioso, excitantE. tempos depois fui presa, clarO. esse pessoal europeu é mais eficiente que lá no brasiL. mas não foi problemA. lanceloT era muito rico, tinha até esquecido de dizer, e depois de uns 3 anos saí daquele hotel que é a prisão europeia e ele me amou de voltA. aiai, mas nunca me esquecerei de clairE, ela foi essencial para a minha vidA. até a próximA.

Isabella Mariano

Blog com conteúdo autoral da escritora Isabella Mariano.

Conheça meus livros!

Saiba mais clicando aqui.