19:00

todo mundo busca por um fim
talvez não o final de tudo
das coisas não eternas
fatalmente findáveis
talvez nem a morte
branda e trêmula
de tanta velhice
mas o desígnio
mas o escopo
o alvo exato
claro, níveo
e cândido
para que
enfim
vocês
e eles
e elas
e vós
e nós
e tu
e eu
e todos nós
vejamos

23:17

fico a pensar
estivemos sempre perdidos
ou fui eu quem resolvi me encontrar?

20:53

ela me olhava
às espreita
astuta e lúbrica
pequena e cintilante
presente nos olhos de quem via
de quem se via no espelho

lá estava
aonde?
ao redor
como quem brinca
de ciranda, cirandinha

pra minha sorte
decidiu voltar

parecia sorrir
mas não sei, não vi

estava tão próxima
alerta e vigilante
esperando pelo fim
da próxima emboscada

20:47

pesada como chumbo
amarga como fel
leve como a lâmina
que corta e fere
e doi e sangra
e prende e estanca
e não para nunca
de doer

19:26

todas as vezes
que nos vemos
que nos virmos
que nos víamos
que nos vimos
sei lá

perdi o tempo
a exatidão
do ponto certo
inequívoco
de nós dois

pra poder perguntar:

quando foi
a última vez
que eu usei
o verbo ver
com você?


Isabella Mariano

Blog com conteúdo autoral da escritora Isabella Mariano.

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