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Cortes Lentos

Este blog reúne o trabalho literário da escritora capixaba-carioca Isabella Mariano.

(01:31) Maycou diz: tipo... eu acho injusto, mas eu acho isso tão sem importância
(01:31) Maycou diz: que não vou nem ligar para não me estressar
(01:33) isa diz: é um detalhe injusto, mas tudo o que é injusto, para mim não é mais detalhe.
(01:33) isa diz: uy, anota ai e coloca na minha biografia!
É curioso observar-nos, somos tão contraditórios. Para dizer (admitir) uma verdade: não vivemos bem sem regras. Tudo tem regras. Inclusive os sem regras - aquela coisa de: "A regra é não ter regra". Ê, vamos viver em um paradoxo agora!-. Mas é complicado, pô. Criar mil regras para tantas bilhões de pessoas... diferentes (mero detalhe). Voltando-me às regras do coração. - Regras do coração? - Bom, existem coisas que podemos, ou não fazer para ser, viver e, inclusive, amar. O mais engraçado é que nunca estamos satisfeitos, digno de gargalhadas isso. E ainda nos vangloriamos, julgamo-nos ser mais inteligentes do que os animais por um belo polegar (muito útil, por sinal. Tente alimentar-se sem usá-lo), mas do que adianta essa inteligência toda, se o que nos sobra é a arrogância e a ignorância de nos julgarmos melhores, e os outros piores? Ora, pelo menos os animais "irracionais" têm a capacidade de viver corretamente sem que os dêem-ditem-imponham regras. Eles nasceram com seus instintos: maternos, de caça, etc. E vivem com o que lhes é necessário para viver. Há algo mais inteligente que isso? (Surpreenda-me se for capaz). Quanta audácia de nossa parte. Não sabemos nem comer, sem regras! Gostamos de ser maus, sentimos inveja. Os pecados já vêem grudados na pele. E tudo isso pra valorizar o nosso ego!

Haha, o ser humano... É pra rir mesmo.
Eduardo era um homem de sorte. Apostou toda sua boa fé e honra em uma única pessoa, um único ser que respira, como todos nós: nasce, cresce, reproduz-se e morre. Apostou, não só toda sua parte material e financeira, como também suas emoções e sentimentos. Não seria exatamente esse verbo (apostar), talvez ele chamasse de inventimento. Ela era como todos nós, ou talvez não fosse, pois haveria de existir algo sobre aquela moça que nós, insensíveis, não fomos capazes de enxergar. E toda sua vida (a de Eduardo) perdeu sentido quando tentou achar sentido nela, sobre ela. Eduardo era um homem de sorte. Tinha um filho. E chamava todava noite: "- Marcos, dê boa noite à tua mãe!". Era um rapaz, jovem e cheio de vontade de mudar o mundo. Ouvia Caetano, Jobim. Lia Pedro Bandeira, Camões. Era forte e sábio. Beijava a testa do pai e dizia com muita fé: "- Acredita na sorte, pai". Bom, Eduardo era um homem de sorte. Mas que um belo dia lhe ocorreu de pensar tudas as coisas e sacrifícios que fez por ela, por ele. Lhe ocorreu que o que investiu toda sua vida, de nada valia se iria perder tudo um dia. Não somente o dia de sua morte, mas podendo perder o brilho, que ele, tão só ele pôde ter a honra de enchergar nela. E quando isso ocorresse, pensou, nada terá valido a pena. Ah, mas Eduardo era um homem de sorte. Chagando em casa, sem muito enrolar, tomou um banho e ouviu qualquer música romantica olhando Mônica mecher em seus papéis, com seu óculos de armação vermelha, observando aquele jeito com que ela colocava o cabelo atrás da orelha. Ela o olhou. Como eduardo era um homem de sorte, enchou o peito com toda coragem, orgulho e determinação que tinha de toda sua luta e disse-lhe:
- Mulher, tenho algo para perguntar-te.
- Homem meu, tens minha atenção.
- Quem és tu?
- ...
- ...
- Como ousas perguntar-me isso?
- Ora, meu amor, - aproximando-se dela - dizem que devemos apaixonar-nos a cada dia, pois caso contrário nossa luta nao terá valido a pena... Seremos sem causa. - a última frase disse sussurrando, quase em prantos -
Ela sorriu, um sorriso tão aconchegante que ele se sentiu certo. Como se ela compreendesse tudo antes mesmo dele tentar explicar e disse:
- Sou tua amada, sou teu escudo. Sou teu porto seguro. Sou tua poesia, tua inpiração. Sou teu tudo, meu amor, eu sou teu chão.
- És meu cobertor na noite fria, meu rio no deserto do Saara. Sou teu cravo e és minha rosa. Minha dama, meu sonho.
- Seja sempre assim, meu homem de sorte. És um homem de sorte, sabia?
- Sei, tu me diz todos os dias no pé da orelha.
Bom, como eu disse Eduardo era um homem de sorte e tinha certeza disso. Renovava sua esperança e fé todos os dias. Mesmo com a perda de sua mãe e sua irmã. ele sabe que as pessoas um dia vão morrer, e vão fazer falta... mortas ou não. Eduardo era um homem de sorte, não pelo lado bom da sua vida (e nem pelo ruim), ele era um cara de sorte por saber sorrir, sorrir de verdade. E por saber amar, mas amar de verdade.
(Perdome-me a insensatez. Fiquei um tempo - um longo tempo - sem escrever, não tenho motivos que nãos ejam desculpa por preguiça e cansaço)



E virando-se para ele pensou em dizer-lhe tantas palavras pérfidas, desleais e cruéis. E sentiu-se tão contrariada apenas por pensar em fazê-lo. Viu-se diante a um erro indesculpável que teria sido capaz de fazer. E pode então naqueles segundos compreendertodo o contexto das relações humanas, aliviar todas as dores e benefícios que as duvidas lhe causaram. Viu-se abilitada a compreender o porque seu pai fugiu, entender o porquê do tapa de sábado passado. Soube naquele instante a razão das lágrimas inadequadas de sua mãe frente à televisão, e das risadas inconvenientes ao passar pelas ruas gigantescas de São Paulo. Entendeu todo estorvo de uma relação igual e despertou o sentimento de aceitação para as brigas de casais que se amam. Foi dominada pela sensação de descoberta, como de uma criança ao descobrir o poder da fala, mas para completar sua antítese, sentiu-se comprimida em uma cabeça de alfinete por sentir-se tão errada quanto ao que condenava. Aquele sentimento de culpa, viu-se disposta a perdoar toda iniquidade presente na vida dos seus amados, mas para a finalidade de tudo, heis a trsiteza. Recostou seus coração ao dele, sentindo-se tão errado quanto qualquer erro que ele tenha cometido. Porque ela entendeu. Passou a saber que não veio de Marte. Viu que somos humanos.
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Isabella Mariano
Isabella Mariano nasceu em 1992, no Rio de Janeiro, mas logo se mudou para Vitória. É jornalista, escritora, designer e mestre em Comunicação e Territorialidades. Em 2013, publicou o livro "gotas" e, em 2015, o "Cortes Lentos" - ambos de poemas.
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