Brasil, aonde cê tá indo? Não te contaram que na esquina tem uma armadilha que, se me permite a redundância, armada para te sabotar? Onde cê vai, querido? A esperança ainda não morreu, mas o abismo a espera. Melhor ir devagar, amado. A rua, a lua, a loucura das madrugadas, a cocaína no nariz de quem espera, o porto vazio cheio de sangue, a bandeira faltando estrelas, a cultura pedindo comida, a miséria dizendo que vai ficar, as rugas de quem já viveu suas desventuras, querido país; o desemprego do patrão, a nova comissão. Pra que lado cê tá indo, Brasil? Não falaram que quem espera sempre alcança? Você já foi a esperança das canções de Vandré. Acorde, meu filho. Não te disseram que os monstros lhe esperam? Eles são grandes e vêm de fora. Esse seu plano pode não dar certo. Abortar missão na cara do bote, não rola, patrão, não rola. Manda chuva é você. Manda chuva, papai do céu, iemanjá. Paquetá. É apneia, Brasil... É apneia. Se cuida, pra não virar bosta e ter que ir pelo ralo.
Vida, tô cansada. Tô perdendo o jogo. Não estou desistindo de ganhar, mas me venceram antes. Pode me levar, se quiser. Fico para a próxima rodada. Estou muito cansada.
Se é no leito que nascem os poetas, vamos lá, estou esperando.
Ah, eu sou um desabafo completo!
