Este blog reúne o trabalho literário da escritora capixaba-carioca Isabella Mariano.
a gente deita
e no seu peito
me desajeito
esse mundo é só nosso
se amar é um convite
aceito, assim, bem dev ag ar i n h o
é que o meu desamar
porém
é bem rapidinho
vem ser ou vencer?
não decifrei a palavra
porque a diz em rodeios
com seu ego inflado de duplos
sentidos
me vi, então, perdido no labirinto
que você criou
mas como pode o criador não conhecer sua própria criatura?
nos perdemos do fim
mas nos encontramos, ali
na eternidade
esses dias estava pensando (o que eu penso sempre quando estou nessa situação) em como nós formaríamos um belo casal se não fosse tudo aquilo que nos separa. pensei tanto e percorri um caminho oblíquo até me deparar com uma verdade: eu não sinto a sua falta. isso, talvez, possa soar um pouco rude. ou, talvez, devesse representar alguma espécie de comemoração ou vitória. foi aí que travei. acontece que eu acho que eu deveria sentir a sua falta. não sentir me faz achar que estou perdendo boa parte da minha sensibilidade. quero dizer, devo estar ficando menos sensível. afinal, costumeiramente, eu sinto falta das pessoas como se me doesse a alma - isso se elas de fato tiveram alguma importância. sinto, sim, mesmo que a minha ligação com elas seja superficial, tão vulnerável como uma bolha de sabão. é que eu amo fácil e me acostumo depressa. mas, agora, parece que me desacostumo tão rápido quanto (fico torcendo pra que seja só com você e que, nas próximas vezes, eu morra de saudades). e num lampejo de ansiedade, fico agoniando num domingo a noite imaginando como será a minha próxima história de amor. às vezes, elas duram segundos. é que eu tenho amor demais guardado e, não sei se sou prudente nisto, mas... sempre que posso distribuo esse amor. aonde que que seja, com quem for, desde que encontre ninho.
Isabella Mariano nasceu em 1992, no Rio de Janeiro, mas logo se mudou para Vitória. É jornalista, escritora, designer e mestre em Comunicação e Territorialidades. Em 2013, publicou o livro "gotas" e, em 2015, o "Cortes Lentos" - ambos de poemas.