Homem de sorte

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Eduardo era um homem de sorte. Apostou toda sua boa fé e honra em uma única pessoa, um único ser que respira, como todos nós: nasce, cresce, reproduz-se e morre. Apostou, não só toda sua parte material e financeira, como também suas emoções e sentimentos. Não seria exatamente esse verbo (apostar), talvez ele chamasse de inventimento. Ela era como todos nós, ou talvez não fosse, pois haveria de existir algo sobre aquela moça que nós, insensíveis, não fomos capazes de enxergar. E toda sua vida (a de Eduardo) perdeu sentido quando tentou achar sentido nela, sobre ela. Eduardo era um homem de sorte. Tinha um filho. E chamava todava noite: "- Marcos, dê boa noite à tua mãe!". Era um rapaz, jovem e cheio de vontade de mudar o mundo. Ouvia Caetano, Jobim. Lia Pedro Bandeira, Camões. Era forte e sábio. Beijava a testa do pai e dizia com muita fé: "- Acredita na sorte, pai". Bom, Eduardo era um homem de sorte. Mas que um belo dia lhe ocorreu de pensar tudas as coisas e sacrifícios que fez por ela, por ele. Lhe ocorreu que o que investiu toda sua vida, de nada valia se iria perder tudo um dia. Não somente o dia de sua morte, mas podendo perder o brilho, que ele, tão só ele pôde ter a honra de enchergar nela. E quando isso ocorresse, pensou, nada terá valido a pena. Ah, mas Eduardo era um homem de sorte. Chagando em casa, sem muito enrolar, tomou um banho e ouviu qualquer música romantica olhando Mônica mecher em seus papéis, com seu óculos de armação vermelha, observando aquele jeito com que ela colocava o cabelo atrás da orelha. Ela o olhou. Como eduardo era um homem de sorte, enchou o peito com toda coragem, orgulho e determinação que tinha de toda sua luta e disse-lhe:
- Mulher, tenho algo para perguntar-te.
- Homem meu, tens minha atenção.
- Quem és tu?
- ...
- ...
- Como ousas perguntar-me isso?
- Ora, meu amor, - aproximando-se dela - dizem que devemos apaixonar-nos a cada dia, pois caso contrário nossa luta nao terá valido a pena... Seremos sem causa. - a última frase disse sussurrando, quase em prantos -
Ela sorriu, um sorriso tão aconchegante que ele se sentiu certo. Como se ela compreendesse tudo antes mesmo dele tentar explicar e disse:
- Sou tua amada, sou teu escudo. Sou teu porto seguro. Sou tua poesia, tua inpiração. Sou teu tudo, meu amor, eu sou teu chão.
- És meu cobertor na noite fria, meu rio no deserto do Saara. Sou teu cravo e és minha rosa. Minha dama, meu sonho.
- Seja sempre assim, meu homem de sorte. És um homem de sorte, sabia?
- Sei, tu me diz todos os dias no pé da orelha.
Bom, como eu disse Eduardo era um homem de sorte e tinha certeza disso. Renovava sua esperança e fé todos os dias. Mesmo com a perda de sua mãe e sua irmã. ele sabe que as pessoas um dia vão morrer, e vão fazer falta... mortas ou não. Eduardo era um homem de sorte, não pelo lado bom da sua vida (e nem pelo ruim), ele era um cara de sorte por saber sorrir, sorrir de verdade. E por saber amar, mas amar de verdade.

1 comentário(s)

  1. Gostei desse texto, do jeito que você caracteriza, detalhes. Parabéns, de verdade. Um beijo.

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Isabella Mariano

Blog com conteúdo autoral da escritora Isabella Mariano.

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