nota

02:54

As pessoas dizem que merecemos grandes coisas, as melhores. Mas nós sabemos que não. Nós não merecemos.

prosa

Absurdos noturnos

03:05

Quando nasci, um protótipo imperfeito de mim mesma, viram o meu pé tortinho e disseram Lá vem problema! Nada muito original, porque não se pode concluir outra coisa quando se põe mais uma pessoa no mundo. Se eu acreditasse na normalidade, essa que existe na teoria, que dizem ser a cura dos loucos, que muda de tempos em tempos, que caracteriza a exigência social, aquela que ninguém segue, mas que todo mundo cobra; Se eu acreditasse mesmo, não seria artista. E me diz quem não é? Quem nesse mundinho decadente não é um artista? Aquele que encena, que inventa, que cria, que pinta, que faz a melodia ou a letra, aquele que vê além, aquele que somos todos. Porque é fatal. O Éden foi obra de arte divina, fomos destinados a isso. Haha e por Deus. Mas um dia perceberam que era assim mesmo, quando compararam seus diagnósticos com o meu. A partir daí o normal se confundiu com o insano, porque na prática é tudo diferente. E eu que já cansei de sofrer pelos extremos de ser ou não ser, resolvi deixar ir, porque eu não coordeno o que virá nem o que me tornarei adiante. Virei então um casulo e vou absorvendo tudo que passa pela peneira. Esta que as virtudes a mim atribuídas a constituem. Ah haha E agora que eu estou aqui, sentada assistindo ao espetáculo deles, vi que faço parte integralmente disso. Mas eu me divirto, porque cansei de ir aos julgamentos e os deixo condenando ou absolvendo ninguém. Ah, vai, que eu seja perdoada, pois sou feita de amor dos pés a cabeça. Nada vai mudar isso, amor é a minha máxima. E nos nãos que me proibirem eu os beijarei; no tapa que me prenderão, eu os abraçarei. E vou rir com meus olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada, para que vejam quem eu sou e que entendam o que eu significo e me respeitem como dona e serva de mim, gauche na vida me tornei. E quer saber? Eu amooo isso, inteiramente. Amo sentir tudo, amo saber como é sentir tudo. Empirismo. Amo me fazer literatura, fingir tudo e depois acreditar. Amo pensar com a cabeça de uma dona e de sofrer como uma miserável. Não que eu ame a dor como uma masoquista, mas amo me sentir viva. Você sangra pra saber que está vivo. Ah, deixe-me com os meus devaneios, pois sei que adoram ver a pessoa que me tornei.

nota

Desabafo ³

02:47

Não tenho nada mais pra dizer aqui hoje, desculpe-me. É porque, na verdade, tudo se encheu demais e demais e explodiu. E agora ficou vazio, demais e demais. Eu que já nem entendo mais de vazio e de cheio, porque parecem o mesmo... Às vezes. E me cansei, também, de tudo o que têm dito sobre mim. Sobre como mudei, sobre como cresci. Chega! Quando não é isso, é silêncio. Por que não um pouco menos de vergonha na cara pra dizer o que pensa? Ao invés de culpar o tempo. Ah, ninguém é perfeito, vai. E se eu fui uma vaca é melhor dizer, é muito melhor dizer. Se não permaneço nessa. Te angustiando, até pedir pra parar.

Bem, acabei dizendo.

poema

u

02:43

why it has to be so blue?
you should just gimme a clue
love moves all around
but can make us go to the ground
create, that's what i do,
'cause you don't even think of me
mas eu admito: me divirto fazendo isso.

nota

Quando já não se é feliz, nem triste

16:48

Começa a prevalecer o desespero, por querer algo, para se sentir vivo. Qualquer migalha emocional que me faça pensar, morrer por dentro, errar. Não é tão difícil me fazer bem ou mal, sou poeta, sou artista. Toque-me da maneira errada que posso chorar dias, ou ficar irada por semanas e te dizer palavras que vêm do meu lado mais cruel. Toque-me da melhor forma, eu irei te amar, por um segundo ou por anos, talvez. Eu imploro, vida, qualquer pessoa, enlouqueça-me num desses dias em que não se tem nada pra fazer. Numa mesa do bar, contrarie todos os meus princípios e me convença de estar errada. Diga o que eu não quero ouvir. Eu já não sinto mais nada, então, por favor, diga que ama só para eu dizer que não posso e me afundar na dor que eu mais gosto.

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.