18:21

Somos tão convencionais. A música pára, acabamos a dança, mesmo que o corpo chame por mais. A multidão corre e vamos atrás. Se tem espaço para título, nós o escrevemos, se não tem, inventamos. Se pedem nosso nome, dizemos, mesmo que todos nos conheçam por um apelido. Se acabou, vai embora. Se é pra chorar, fica triste, mesmo que tenha vencido o concurso. Se é poema, é com rima. Se é funk é pornografia. Se é jovem, é sem causa. Se falar de Trótski, é interessante. Mas se for seriado, ih, é fútil. No feriado, temos que sair. Mas na quarta, ficar em casa. Somos tão convencionais. Se é cabeludo, é rockeiro. Se tem franja, é emo. Se o decote mostra tudo, é vagabunda. Mas se usa hábito é santa. Tá tudo tão convencionado. Em uma convenção universal, somos marcados pelos preconceitos, preceitos, conceitos, moldes. Os esteriótipos nos falam mais do que o olhar. Deste que já perdemos a capacidade de interpretação. O tempo muda, sempre de convenção e convenção. E quando quer ser diferente? Ah, isso também é tabelado: tem que odiar o sistema, o burgês, a roupa de marca, o McDonalds, o funk, o sertanejo, o rap contemporâneo, o ballet, o branco, os portugueses e os EUA. Francamente, sejamos mais espontâneos. Se for pra não gostar de coca-cola, que seja porque é ruim. Se for pra admirar Almodóvar, que seja por que faz seu gosto. Se diz que funk é música de alienado, que seja sabendo que é preconceituoso. Sejamos mais sociais e menos políticos. Mais nós, menos eu. Falamos tanto em liberdade, mesmo os mais rígidos e tradicionais, mas nem vemos que estamos presos ao que nos foi dado, em todos os sentidos. Busque essa liberdade primeiro. De poder dizer não, de saber amar todos os estilos, todas as profissões, todas as religiões, todos os ladrões e feiticeiras. As protitutas, os idosos, os estudantes, as tribos, os políticos, os primitivos, os intelectuais, os marginais, os menores ifratores, os idólatras, os pedófilos, os viciados em pornografia, os dependentes químicos, os fumantes, os religiosos, os radicais, os extremos, os que não te amam, os inimigos, os violentos, os mansos, os alienados, os anciãos, os fúteis, os excluídos, os incluídos, os populares, os elitistas, os intrometidos, os sinceros, os humildes, os gananciosos, os corruptos, os infiéis, os poligâmicos, os estrangiros, os canibais, os deficientes mentais, os deficientes físicos, os bêbados, os mendigos, os mal-ducados, os mauricinhos, os ricos, os pobres, os brancos, os negros, os amarelos, os ETs, os travestis, os homossexuais, os homicidas, os suicidas, os malvados, os bonzinhos, os preguiçosos, os eficientes, os intovertidos, os extrevertidos, os ditadores, os comunistas, os loucos, os convencionais. Todos, quero amar todos.

1 comentário(s)

Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.