Olhos Fechados

16:05

Eu estou com sono. Não consigo entender, o tempo todo ele me acomete. Sou seu alvo. Não me preocupe nem em saber se estou bem... Quando me indagam, a resposta é a mesma: "Estou com sono".
Sou atingido por um meteoro e! Nunca me senti tão viva. Estou brilhando no escuro. O meu Sol é a Lua. Não há espelhos em toda a cidade. Vejo minha luz nas gotas da chuva. Ouço uma música. Sou a musa deles todos. Eu posso dançar.
O despertador me chama loucamente avisando que é hora de acordar. E o Sol insiste em me fazer abrir os olhos. Sono, antes de tudo. Antes de rir, do café, do banho, de mim. Sou dominado. Não faço mais nada além de esperar cada segundo passar até poder dormir.
No meu quarto tem uma janela enorme. Posso ver toda a avenida. Ontem, às 3h, chovia e me vi dançando, Mas não era eu. Era ela, como uma ninfa. Sou sonâmbulo.
"Alô?". Era o analista cobrando a conta. Não sei por quê ainda compareço à porra das sessões. Sempre a mesma coisa. A rotina me dá sono.
- O que fez entre 2h e 5h de ontem?
- Sou inocente, delegado.
- O que fez?
- Eu dormi.
Nada demais. Ele me trata, na maior parte do tempo, como um criminoso que não quer confessar. Sou importante aqui. Ele me pesquisa.
Hoje eu dormi com a sensação de que seria ótimo. Acordei e, no teto, estava escrito "Brilhe ou morra!" em néon. Chamei a polícia. Nada aconteceu. Disseram-me que era louco. Dormi cedo.
Eu sou a louca e assumo essa responsabilidade. Não desejo mais viver. Cansei da Lua e de suas fases. Vivo sem dormir. Quero agora dormir para sempre.
Ontem eu me vi pulando da janela. Mas não era eu, era ela, na minha enorme janela. Hoje eu morri.

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Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.