01:32

não sei quando
nem se é possível datar
mas ainda assim pergunto:
há de chegar o dia
em que o teu planalto
vai encontrar o meu mar?

23:27

como é lindo teu sol nascente
como é linda tua neblina
teu tempo, teu jeito, teu clima
queria que soubesses
como é lindo te ver, menina!

decálogo

02:56

quando me vires
irás me amar de imediato
mas, nesta exata hora, peço,
terás de me odiar
terás de me odiar por completo
assim que te sentires seduzido
deverás cuspir em meu rosto,
preparar tua melhor cara de desgosto
e dizer-me palavras obscenas
parando apenas, volta e meia,
para me observar a lágrima cínica que cai
logo que sentires o desejo de declarar-te a mim
deverás me esquecer e ignorar meus olhares
terás de me amar menos - ou até quase nada
assim, se tiveres sorte, começarei com calma a te amar

23:48

O silêncio absoluto existe de fato? Quer dizer, se a coisa toda é uma só, há de haver qualquer grito escondido enquanto a gente cala do lado cá. Silêncio bom é silêncio nosso, de alma. Esse silêncio outro, de fora pra dentro, chega a ser engraçado. A gente se pega tentando achar explicação pra tudo quanto é ruído. Pelo menos, eu o faço aqui na cidade. Tem sempre um motor ligado, um pneu freando, um grito de socorro ou de prazer. Tem sempre qualquer coisa acontecendo e se o nosso relógio não freia, tal qual - quase sempre - desesperado o pneu notívago, que fazer? A gente fica meio anestesiado, né... Taí. Por isso que eu digo que, ainda que o silêncio absoluto seja um mito, o silêncio da alma é o que me fez escapar diversas vezes da loucura sem propósito, aquela que deixa a gente meio robótico. Sei lá, ela é tipo meu pior pesadelo. E aí quando vem qualquer sintoma dela, sempre latente, saio de cena por uns minutos, por uns dias, por uns meses. Ah, nem penso bem o tempo. Só saio. Um pouquinho. Sabe? Ou não sabe?

Isabella Mariano

Blog com conteúdo autoral da escritora Isabella Mariano.

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