Redação

23:58

Estou de saco cheio, de novo. Até o final do ano, ou o ínicio do próximo. O vestibular tá sendo um fardo tão pesado que tô ficando mais torta que o normal.
Tá, mas hoje vou falar sobre redação. A coisa mais ridícula do vestibular é a redação. Na verdade, eu tô afim é de criticar.
Porque me pedem para resumir uma opinião, uma história bombástica, uma crítica, representativa, brilhante e imprevisível em 20 linhas. As belas e tortuosas vinte linhas.
É, claro que ninguém vai exigir que você seja um escritor brilhante, mas em se tratando de gramaticidade, coesão e coerência, parágrafo, vírgula e adequação ao tema... Bem, isso qualquer um faz. Haha.
Porque afinal, os melhores textos e livros foram breves e curtos, certo? Não, errado de novo. Só "Os Lusíadas" tem 1.102 estrofes, a menor edição de "Dom Casmurro" que já ouvi dizer tinham 180 páginas. "Ensaio sobre a cegueira"? 300, 200 páginas, não importa. Os contos de Rubem Fonseca em "Feliz Ano Novo" tinham pelo menos duas páginas, cada.
Não, não tô dizendo que um texto bom deve ser longo. Deus me livre. Mas exigindo tanta coisa, eu precisaria de, pelo menos, dez linhas a mais.
Aí a minha professora de redação, uma fofis por sinal, me dá nota máxima numa redação que achei sem graça, rápida, bruta e tosca (?). É.
Imagino é que a banca de correção deve vigiar os pré-vestibulandos, idealizando planos maléficos, rindo, tomando café com o dedo mindinho levantado e rindo mais ainda, com um raio do mal atrás, para enfatizar a maldade. Um ciclo.
Voltando ao assunto: a redação. Algumas pessoas dizem que escrevo bem e eu quero escrever bem. Quero ser uma jornalista de excelência, mas a redação do vestibular é um monstro e destrói todas as nossas espectativas.
Se eu fosse escrever para um jornal, para uma coluna ou mesmo uma carta eu sei, nada de vinte linhas, nada de modelo pronto, nada disso. Tudo criativo.
"Ah, mas é isso mesmo que eles querem avaliar, seu potencial de desenvolver uma redação em..." Ah, me poupe, né? Porque eu faço o que posso e me exigem um machado de assis, um veríssimo. Ou quando dou uma de machado, me exigem um aluno do ensino médio.
É tudo proposital, mas sentido? Não tem.
E outra, que nome horrível, né? Nunca que Suassuna iria fazer uma redação, não. Ele conta, ele escreve textos, escreve história!
Ah, se Clarice tivesse vivido no meu ano de vestibular. Ah, se Cazuza fosse ter que entrar na universidade pra ter conseguido seu valor. Ah, vida cruel.

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Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.