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O arrepio demonstrou que eu pressentia sua chegada e o sorriso que aceitava sua permanência. Coberto de uma culpa inigualável, cobriu-me de sentimento. Encharcou-me com palavras vãs, encheu-me com o vazio. Não temi a falta de espaço. A recíproca era verdadeira e, por isso, toquei-lhe sutilmente. Era tudo o que queria. Numa questão de segundos, pude relembrar a primeira vez. Ele me escolheu primeiro. Eu era a preferida. Egocentricamente, eu ria quando a via. Pensando ser amada por completo. Porém, logo depois, eu me entristecia. Uma mulher tão linda não merece um homem tão medíocre. Ninguém merece e nem sei se eu posso chamá-lo de homem - no sentido moral da palavra. Estávamos proibidos de demonstrar qualquer coisa que sugerisse uma relação a mais do que a profissional. Mas eu denunciei pelo olhar. Por mais que eu soubesse que era amada, queria ser a única e verdadeira. De fato e de direito. Contudo, assim percebi que medíocre era eu, naquela situação. Não lhe toquei mais. A suavidade sublimou. Fiz-me forte e desapareci. Não liguei mais. E deixei-lhe um bilhete amarelo escrito “Prefiro assim”.

Escrito em 23.04.2010

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Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.