Memórias de Antonio Olinto

21:35

Antonio Olinto tinha dois olhos, duas culpas. Olinto queria ser como os outros e saber que seus olhos eram suas janelas e tornar isso bom. Porém pela janela, ele sabia, vemos o que está dentro também. E Antonio Olinto não era um poço de doçura. Mesmo que essa seja a tendencia dos bons puritanos do mundo. Portanto, duas culpas. Uma por ter o que tinha dentro, outra por não fazer nada para melhorar o que tinha fora. É estranho escrever assim, pois parece que as personagens só se 'tocam' das coisas depois de um 'longo e tenebroso' tempo. Mas o legal disso é que cada um inventa a cronologia, quando no texto não é tão específico. Então, decidiu, por conta própria tornar das suas labutas dramáticas - tão pequenas, mas vistas por uma lupa - um universo de bons pensamentos e frutos saborosos. Criou diversas ilhas, com diferentes culturas e povos - e, portanto, diferentes comidas -, sem se esquecer do barco irrepreensível nomeado de Karl. E lá foram Karl e Olinto, viajantes das marés que fotografavam a Lua com os olhos. Revelavam as fotos para seus visinhos imaginários, numa mesa pequena e com cadeiras de barro, munidos de um violão inventado pelas madeiras das gigantes palmeiras de Grace Island. Muito charuto de Cubonópolis e um cheiro de amor, surpreendente, no ar.
Ele soube reinventar todo seu mundo. Desde o gosto das frutas, nomes até como se toca um instrumento e os gases que compõem o ar atmoférico. Virou dono de si e da sua visão. Domou seus olhos.
Diversas vezes, Karl perguntava a Olinto coisas da vida, o pequeno desconhecido era um mero aprendiz nesse mundo novo. E, então, o grande aventureiro fingia ser um pirata que já passara por tudo nesta vida. Contava sobre seus amores que nem existiram. Poemas não escritos e lugares nunca vistos. Mas sabia que em tudo poderia se aprender algo.
Certa vez, quando Karl já estava tirando a rede da água para descansar, viu Olinto chorando. Karl não aguentou de tanta fúria e pensou: Como pode essa ingratidão? Eu o fiz ser o mestre do mundo. O mais inteligente!
Ao se aproximar dele, Karl o olhou com o coração partido, mas ainda assim enfurecido e nem precisou perguntar para que ele começasse a falar:
- Tenho medo de acordar e ver aquelas duas janelas me atormentando de novo.
Fez-se um silêncio absoluto até que o céu começou a falar com pequenas e discretas gotas que desciam falando palavras de amor. Assim, Karl preferiu não dizer a verdade, pois viu que a chuva o fez bem.
Então ficava tudo certo. Se algum se entristecesse, a chuva via e vinha para dizer o que queriam ouvir. Magnifico céu, magnífica chuva! Era esse o pensamento de todos os povos das ilhas Hidden (era o nome do arquipélago que Olinto criou).
Eu até queria dizer que aconteceu algo horrível e ele caiu desse mundo; Que acordou um dia e estava num quarto com duas janelas. Mas isso não aconteceu! Olinto transformou aquela sala, num outro mundo, até pintou as paredes. É, ele mudou a própria vida num simples ato: virou-se para o outro lado da sala.
Quando Olinto entrava em um romance intenso e profundo, só conseguia amar se ela pudesse ver quão bela eram as Orquipefúdias brancas (flores que ele inventou). E ocorreu que foi pego de surpresa por uma bela mulher, Louise Foley, vinda do oeste com a pele lisa como dos Serquepos (fruto macio típico da tribo Mastepoan). Essa linda moça, pôde entrar em seu barco - o Karl -, pois quando Olinto a perguntou como se chamava, ela respondeu de uma maneira melhor do que a esperada, dizendo: - Tenho o nome, não da rosa, mas de quem a plantou.
Que mulher diria isso a ele se não fosse aquela sonhada para usar uma coroa de flores exóticas? Ela visitou seus arquipélagos e o mostrou seus amigos do mar. Eram dois mundos diferentes, mas que se completavam de tal maneira que era possível ouvir o som do amor. Além do cheiro, o som!
Quando se juntaram de maneira permanente, houve grande festa. Leões-marinho-cor-de-rosa pulavam pelas lagoas dos peixes Amiguidos. Persevejos fosforescentes voavam em volta deles. Quando a beijou, sentiu-se capaz de sentir o amor. Sentir o amor!
Era incrível tudo o que acontecera na vida de Olinto. Uma verdadeira história de amor consigo e com o mundo. Ele se emocionou ao contar a todos, na festa, sobre sua vida. Era bom que soubessem de onde ele veio e onde ele está agora.
O tempo passava como se o bem não acabasse. Era tudo bom! O que era ruim, imediatamente, era pintado por Caramáçu (um fruto que tinha uma tinta esverdeada dentro) e tornava-se novo!
Reinaram até que decidiram durmir com as estrelas e deixaram seus pequenos iulties (filhos) em seus lugares. Mas antes de irem completamente, ensinaram-lhes tudo o que era preciso. Tiveram certeza de que o amor seria repassado. E enquanto estava indo ao encontro com as estrelas, viu o amor! Estava na plenitude: cheirou, ouviu, sentiu e viu a perfeição intocável que é o amor. Sentiu que estava criando asas. E viveu para sempre.

1 comentário(s)

  1. é fácil isa, é so você ir lá em Layout daí vai ter do lado do título "editar". daí abre uma pop up com "imagem" e você coloca a imagem que você quer depois clica em "imagem ao invés do título" e tchanran! HAHA
    :*

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Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.