Equalize

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Coisa estranha essa de gostar de alguém. Estranho, porque não é ruim, nem bom. Quer dizer, é tudo ao mesmo tempo. Aliás, a gente mal sabe se tá mesmo "gostando de alguém" até se pegar pensando nesse alguém enquanto escova os dentes. O pensamento flutua entre o sonho da noite anterior e a lista mental de compras do mercado. Sutilmente anexado ao seu dia a dia.

Talvez as paixões durassem mais antigamente, como dizia vovó, porque as pessoas esperavam menos. E, também, se viam menos, se falavam menos. Não tinha aquela mensagem não respondida no whatsapp, nem aquela troca de curtidas no facebook. Nem a urgência de compartilhar alguma foto no instagram. Que drama inútil esse o nosso.

E o pior é que se esse alguém some por uma semana você pensa que é hora de seguir em frente sem o alguém. Fico pensando nas cartas de amor e o quanto elas demoravam para sair do amante e chegar ao amado. E quando digo que antigamente esperavam menos, não digo menos tempo, mas menos coisas. A gente hoje espera respostas no whatsapp, retorno de ligações não atendidas, curtidas no facebook, recados no messenger, fotos no instagram, convites pra sair, boa noites, bom dias, smiles, saudades, fotografia, textos. A gente quer muito o tempo todo, sabe? Por quê?

Será que dá pra construir um amor sem esperar tanto? Quem permaneceria? E, se permanece, é correspondido? A correspondência, a reciprocidade, a troca, a permanência. Uma combinação difícil. Parece um daqueles jogos de cassinos em que as imagens devem combinar. Quanto mais combinações, mais se ganha. É, acho que é uma boa metáfora.

Abro um livro e tento não pensar em você. Mas só de tentar já penso, então meio que desisto e venho escrever esse texto pra ver se você não vai embora por um tempo. Só um tempinho. Um segundo pra ficar aqui sem ter que lembrar da gente com toda música. E é aí que começa a tocar equalize da pitty...

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Mezzo jornalista, mezzo poeta. Minha vida é um (des)equilíbrio entre Beyoncé, Big Brother Brasil, Damien Rice, Maria Rita, feminismo, Leminski, Alan Moore e George Orwell. Isabella Mariano, 25 anos, Vitória, Espírito Santo.